A era digital da fotografia aportou ao processo fotográfico possibilidades imensas, democratizando-o. É, no entanto, comum estabelecer-se que com o início dessa era se deu a morte de uma outra designada analógica, como sinónimo de fotografia com filme e antónimo de digital. Não é verdade.
Em vários fóruns se discute o “analógico e o digital”: que diferenças, se um é melhor do que o outro, se um dá possibilidades que o outro não tem, etc., etc.Como escreve Erivam Morais de Oliveira, mestre em ciências da comunicação, em “Da fotografia analógica à ascensão da fotografia digital”: “Não se pode descartar o digital. Mas também não se pode simplesmente abandonar o analógico, sem qualquer preocupação com o passado, o presente e o futuro. Afinal, o que seria da memória dos séculos XIX e XX se não fossem as fotografias produzidas em negativos, que armazenam até hoje imagens importantes de nossa história?”.A fotografia atua, pois, como uma forma de capturar o tempo e dilatar a sensação do seu controlo, congelando o instante para a eternidade. A impressão das fotografias em papel constituía para todos nós um álbum de memórias. Com o advento do digital e da “fotografia pastilha elástica”, corremos o risco de nos tornarmos seres sem memória ou sem memórias, imagens que nos recordem o que fomos, como e com quem estivemos e aonde! As fotografias colocadas nas redes sociais são esquecidas e a segurança das que permanecem armazenadas em suportes digitais, correm o risco de desaparecer, se a não tivermos redobrados cuidados na sua conservação.
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